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Sempre Adicionar... Nunca Remover!

Provérbio Streghe

"Quando já não estiver
Neste mundo,
Sempre que necessitardes de algo,
Uma vez ao mês,
Quando a Lua
Estiver Cheia...
Deveis todos vos reunir num lugar deserto,
Ou floresta,
Para adorar o Espírito Poderoso
De vossa Rainha,
Minha Mãe, a Grande Diana,
E quem quiser aprender Bruxaria,
Mas ainda não domina
Seus mais íntimos segredos,
Minha Mãe vos ensinará,
Em verdade,
Todas as coisas...
E livres estareis da escravidão,
E livres sereis em todas as coisas;
Homens e Mulheres devereis
Estar desnudos durante
Vossos ritos,
Até que morra o último opressor,
Fareis o jogo de Benevento
E depois uma refeição..."

Oração a Hecate

Faça com que o Círculo
Nunca seja quebrado,
Faça com que a Terra
Esteja sempre firme,
Faça com que o Vento
Seja sempre constante,
Faça com que o Mar
Esteja sempre agitado,
Faça com que o Fogo
Nunca se apague,
E sua luz mostre o caminho.
Hecate faça-se sempre
Viva em minha alma.

Oração Diária

Que eu tenha hoje
E a cada dia,
A Força dos Céus,
A Luz do Sol,
O Resplendor do Fogo,
O Brilho da Lua,
A Presteza do Vento,
A Profundidade do Mar,
A Estabilidade da Terra
E a Firmeza da Rocha.
Que assim seja e que assim se faça
Em Nome da Deusa
E de Seu Consorte"

Oração as Deusas do Fogo

Abençoada seja, a
Deusa da Criatividade,
Luminosa Hecate,
Deusa do Fogo Sagrado.
E do Caldeirão da Transformçao.
Ensine-me a suportar
Os fogos da transformação,
O forno que tempera minha lâmina
E me faça forte.
Esteja comigo como um
Brilho em meu destino.

Abençoada seja, a
Deusa da Transformação,
Corajosa Perséfone,
O caroço plantado na Terra.
Ensine-me a entrar
No Submundo sem medo
E emergir sem pesar.
Ilumine meu caminho
Com suas tochas!

Abençoada seja, a
Deusa da Fé,
Constante Héstia,
Deusa da Lareira e do Templo.
Ensine-me as lições de
Compromisso e satisfação,
Serviço e celebração.
Aqueça-me por dentro e por fora!
Que assim seja e que assim se faça!

Aos Elementais

Pequenos Guardiões,
Seres de Luz Infinita.
De dia me tragam a paz,
De noite os dons da Magia.
Invisíveis Guardiões,
Protejam os quatro cantos da minha alma,
Os quatro cantos da minha casa,
Os quatro cantos do meu coração.
Que assim seja e que assim se faça!

Culto a Senhora

Senhora da minha Vida:
Guia-me com sabedoria,
Faça com que eu compreenda
O que não tem explicação.
Conforta-me em Teus Seios
Quando preciso for.
Daí-me luz para clarear
A mente dos que não entendem.
Encha-me de coragem para enfrentar
O preconceito de cabeça erguida.
Purifique-me para que eu
Possa louvar-te como mereces.
Ajuda-me a ver com os
Teus olhos de justiça para que
Eu nunca acuse em vão.
E peço-te que me mostre o caminho
Da Tua verdade para que eu
Não me perca nunca de Ti.
Abençoada sejas!
Que assim seja e
Que assim se faça!

Para momentos de estresse e confusão

Ó querida Deusa, Mãe da terra verde, das águas azuis e da Lua Prateada, por favor, esteja comigo em meu momento de necessidade.
O estresse e a confusão tomaram conta da minha vida, e sinto o peso das preocupações da vida me sufocarem.
Estou realmente com medo, mas sei que Você em seu amor gentil me ouve agora, e sinto que o grande peso está ficando mais fácil de suportar.
Ó querido Deus, Pai das florestas escuras e montanhas tremeluzentes, dê-me a sua força espiritual para que eu possa atravessar este momento de crise e voltar novamente para a minha vida normal.
Abençoados sejam!
Que assim seja e que assim se faça!

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Corvus Lucífero
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ClãsCáliet

A Trilha fácil, suave e inclinada… Não é a trilha da Virtude Verdadeira. Ela demanda um caminho árduo e espinhoso. O ClãsCáliet resgata a Antiga Fé, unindo o velho e o novo em um espiral, nos colocando no limiar de todos os mundos e universos e reerguendo o Pendão dos Antigos Deuses, com as bênçãos da Grande Hecate Lucifera, a Portadora da Luz da Iluminação e de Dionisio Zagreus, o Três Vezes Manifesto; caminharemos para à Ascensão da Idade da Filha, a Idade da Razão.

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Salve Dionísio, Senhor desta Vinha... ClãsCáliet

domingo, novembro 10, 2013


Eu invoco a estas preces Dionísio Liknites, nascido em Nisa,
Florescente, amado e gentil Baco,
Cuidado pelas ninfas e pela Afrodite de bela guirlanda.
A floresta já sentiu teus pés moverem-se na dança,
Como o frenezi te conduziu às graciosas ninfas,
E os desígnios de Zeus trouxeram-te à nobre Perséfone,
Que te criou para ser amado pelos deuses imortais.
Vem, ó abençoado, de coração gentil, e aceite o presente deste sacrifício.

- Hino Órfico 46, a Dionísio Likinites

Postado por Corvus Lucífero às 22:55 0 comentários

Marcadores: Bruxaria Hereditária, Deus, Orações..., Orfismo

Destinação das Oferendas

terça-feira, janeiro 29, 2013


O texto abaixo foi retirado do site RHB, sobre reconstrucionismo helênico é de grande importância, respondendo assim uma dúvida decorrente sobre as oferendas dedicadas as Divindades. Alexandra Nikazios descreve de forma simples, porém respeitosa, como retirarmos as ofertas do Altar e qual destinação devemos dar as mesmas. Sabendo que nas várias religiões as oferendas são tratadas e destinadas de formas diferentes, a apresentada a seguir segue um padrão quase que universal, criando  meios rápidos e acessíveis a todos, ainda assim peço atenção a último parágrafo do texto pois o mesmo reitera o cuidado que devemos ter com as coisas sagradas.

"Tudo que é ligado aos Deuses é sagrado, E o que é sagrado é separado daquilo que não é. Ter contado com coisas comuns, principalmente as causadoras de miasmas, é uma forma de poluição. Para evitar isso, nos purificamos antes de iniciar um ritual, mesmo que seja apenas com o lavar as mãos na Água Lustral. Seguindo o mesmo princípio, jogar as ofertas direto no lixo também seria misturar o sagrado com o impuro. Então o que fazer?

O ideal é manter a oferta pela noite e só desfazer-se dela no dia seguinte, jogando as libações no chão e queimando as ofertas sólidas no fogo, ou mandando-as pela água corrente. Só que a maioria de nós mora em apartamentos ou em uma casa sem esses recursos.

Considerando esse fato, os helenos modernos têm várias soluções alternativas para isso:

1. Usar as ofertas como composto orgânico para as plantas da casa/apartamento (muitos helenos contam como as plantas sagradas aos Deuses crescem melhor assim, como a vinha de Dionísio, os jacintos de Apolo etc);
2. ter um recipiente com areia ou argila ou terra no Altar para absorver as libações (depois, a cada mês, você limpa a areia sacudindo-a em um saco com água e sabão e a reutiliza no recipiente;
3. Deixar os restos de ofertas debaixo de uma árvore (mesmo nas grandes cidades existem árvores);
4. Pegar as comidas ofertadas e colocar num saco de lanches e deixá-lo em uma encruzilhada (para Hécate, Hermes ou Quem-vier) ou dá-lo a um sem-teto (praticando um pouco do princípio sagrado da 'xenia'/hospitalidade);
5. Se não tiver outro jeito, verter as ofertas líquidas na pia sim, mas com respeito (e não como quem joga o resto da água fora no meio da pressa de sair para trabalhar), e , no caso das ofertas sólidas, colocá-las em um saquinho fechado (como os de fechamento a vácuo) antes de jogá-lo no saco de lixo comum.

Quanto aos animais, tema que gerou discussão no grupo, por um lado eu concordo que não se deva DAR as ofertas para eles comerem, mas por outro eu acho que - se você coloca a oferta debaixo de uma árvore e um cão de rua vai comer - aquilo para mim é um enviado de Hécate demonstrando a aceitação Dela.

No mais, siga seu coração. se você fez tudo o que estava ao seu alcance e não obteve solução, o mais importante será a intenção do seu ato e a disposição em fazer isso direito. O que não pode é desleixat da separação dos hiera/sacra por pura preguiça..."

Postado por Corvus Lucífero às 15:47 0 comentários

Marcadores: Bruxaria Hereditária, Como agir em um rito, Mistica na Liturgia, Rituais...

Objetos de Culto

sábado, abril 21, 2012

 
Caldeirão, Crânio Humano, Vassoura, Bastão e Falo, todos figuram de maneira inportante na Bruxaria Hereditária. Muitas Bruxas modernas se envergonham de tais objetos devido às imagens estereotipadas da bruxaria que são comuns hoje em dia; a imagem da velha feiticeira estéril, fazendo encantamentos supersticiosos sobre um Caldeirão fumegante surgiu durante a Idade Média. Sempre achei curioso que essa pobre figura fosse tão temida pela Igreja a ponto de ser necessário caçá-la e matá-la.
 
A imagem pré-cristã de uma Bruxa como Medéia ou Circe era bem diferente. Nessa época, a Bruxa era competente nas artes de mágica e também sexualmente sedutora. Por volta de 30 a.C., essa imagem começou a mudar, como se vê nas Épodes de Horácio, escritas durante este período; aqui, a Bruxa já não era fisicamente atraente, mas ainda talentosa em suas habilidades mágicas. Horácio observa, por exemplo, que as Bruxas Italianas tinham o poder de "baixar a Lua do Céu"; no entanto, quando o poder patriarcal se tornou cada vez mais firmemente implantado, a figura fêmea, outrora autopoderosa, foi transformada numa velha que murmurava encantamentos e cacarejava a noite. É interessante notar que os Bruxos não tinham esse estigma e sempre apareciam como figuras poderosas e misteriosas. Embora seja curioso, certos elementos de Circe e Medéia persistiram na Idade Média em personagens como Morgana Le Fay, da mitologia arturiana.
 
Na Antiga Arte, o Crânio Humano simboliza o princípio de morte e renascimento e também representava o Deus Sacrificado e Senhor do Submundo. O Caldeirão complementava esta imagem como símbolo do Útero, o próprio Portal da Vida; desse modo, o Caldeirão era também um símbolo da Grande Deusa, sendo ao mesmo tempo Útero e Túmulo. A Vassoura evoluiu para um composto de fertilidade masculina e feminina; isso era devido em parte ao fato de que era feita de plantas do campo, mas também simbolizava a genitália masculina e feminina. O cabo era o falo do macho e a folhagem era o triângulo púbico da fêmea. A Vassoura ritual não era amarrada fortemente e o cabo podia ser facilmente removido para o uso ritual como Varinha.
 
Dentro da Antiga Arte, o Falo ritual era tanto simbólico quanto operacional. Antigos ritos de fertilidade frequentemente exigiam atos sexuais múltiplos, feitos para que a Essência da Vida retornasse aos campos e floresta. Já que os homens têm um limite na sucessiva frequência de realizar uniões sexuais, o Falo era empregado como substituto. Isso permitia que os ritos continuassem, sem serem interrompidos por qualquer circunstância mundana que pudessem ocorrer.
 
O Bastão era o símbolo da Deusa. Escolhia-se um galho em forquilha de uma árvore frutífera para representar a imagem da mãe. A forquilha em forma de "Y" simbolizava a Vagina Sagrada da Deusa; um bastão de carvalho ou nogueira simbolizava o Deus e, neste caso, os galhos em forquilha não eram aparados como dois forcados separados; ao contrário, eram deixados com vários brotos, para simbolizar os chifres de um gamo. Os Bastões rituais eram colocados no vários Quadrantes do Círculo, dependendo do tema da estação. O Quadrante Leste era empregado em temas de ganho e o Oeste em temas de perda. Os Quadrantes Norte ou Sul (Norte no Inverno e Sul no Verão) eram frequentemente incorporados em épocas de poder.
 
Num grau menor, outros itens ritualísticos como hera, arruda, sal e vinho também eram utilizados como objetos de culto, tradicionalmente carregados na Bolsa Nanta. Cada um deles é ligado a um instrumento ritual (respectivamente: agulha, varinha, pedra e dedal). A agulha é associada à hera por causa de seu movimento na costura de serpentear e entrelaçar; a varinha se liga à arruda por causa de seu talo longo; o sal é simbólico da pedra porque ambos são tirados da própria terra; o dedal, que é um objeto em forma de taça, representa o vinho. Cada um desses pequenos itens representa os instrumentos rituais clássicos do Ocultismo Ocidental, desenhados no Tarot Italiano do século XV (baralho Carry-Yale Visconti). A agulha é a Espada ritual, a varinha é paus, a pedra é o Pentáculo e o dedal é o Cálice.

Postado por Corvus Lucífero às 16:38 0 comentários

Marcadores: Bruxaria Hereditária

A Antiga Religião

domingo, fevereiro 26, 2012


O uso mais antigo da expressão Antiga Religião apareceu em registros do Senado Romano, no primeiro século d.C. Foi usado pelo Imperador Cláudio I e pelo Orador Sêneca, ao falar da Religião Etrusca. Também foi usada por eles ao falarem das Artes Ocultas praticadas pelos Etruscos - particularmente da Arte da Adivinhação e Presságios. Charles Leland registrou em seus escritos do século XIX que as Bruxas Italianas da Toscana se referiam as suas crenças como La Vecchia Religione, a Antiga Religião. Mais tarde, Gerald Gardner usou o mesmo termo para escrever sobre Bruxaria em seus livros da metade do século XX.

Os elementos abrangidos pela Antiga Arte ou Bruxaria Hereditária diferem em muitos aspectos da Bruxaria Moderna; é uma mistura daquilo que hoje chamamos Wicca Cerimonial e Wicca Xamânica. A Bruxaria Hereditária emprega muitas práticas primitivas, tais como tambores e estados mediúnicos, diferentemente da Wicca Xamânica; também incorpora aspectos cerimoniais, como o estabelecimento de Círculos Rituais e o uso de Instrumentos Rituais. No entanto, os sistemas hereditários mais antigos não possuíam, originalmente, os mesmos rituais formais completos de Treguenda (Sabá), encontrados na moderna Arte. Em minha opinião, provavelmente só depois de 600 d.C. é que podemos encontrar na Bruxaria Hereditária Italiana algumas semelhanças com a estrutura atual dos rituais contemporâneos da Arte. A única exceção seriam os ritos lunares.

O Ritual de Lua Cheia e os Ritos de Iniciação datam de antes da Treguenda, compreende a maior parte do antigo material hereditário original; no entanto, encontramos também simples ritos de fertilidade, feitos para abençoar a vida vegetal e animal. Naturalmente, tais ritos eram realizados conforme fosse mais apropriado à estação do ano; assim, muitos deles marcam solstícios e equinócios e contêm elementos sobreviventes das Antigas Tradições de Mistérios Européias. Os ritos religiosos associados aos mortos, à purificação pessoal, à criação de gado e à produção da safra marcavam os quartos da cruz (períodos das estações que caíam exatamente entre o solstício e o equinócio). No entanto, esses ritos se pareciam mais com bençãos simplistas de uma Sacerdote ou Sacerdotisa, práticas primitivas, miméticas e mágicas, do que com o tipo de estrutura ritualística formal, que se vê nos ritos da moderna Bruxaria.

As Bruxas Hereditárias são tudo o que resta da Velha Linhagem de Sacerdócio da Antiga Religião. Ali pelo começo da Idade Média encontramos elementos tanto do caçador-colhedor quanto de comunidades rurais, expressos nas práticas e crenças das Bruxas Hereditárias. A Antiga Religião do povo pagão e aquela dos Sacerdotes e Sacerdotisas eram duas religiões ligeiramente diferentes. Para o povo, a Treguenda era a época de safra e gado abundantes, ou então uma ocasião para festivais alegres. Para os Sacerdotes e Sacerdotisas, eram tempos de se alinhar com as forças da natureza e de redirecionar as correntes de energia a fim de manifestar as necessidades da comunidade. Podemos comparar isto às diferenças experimentadas entre um Padre católico e sua congregação durante a missa; ambos estão fazendo coisas diferentes durante o mesmo ritual e, portanto, vivenciam o mesmo cerimonial de adoração de modo um pouco diferente.

Se isolarmos aqui as duas facções católicas, vemos duas estruturas diferentes de adoração. Imagine o que poderia evoluir separadamente se essas duas facções fossem separadas uma da outra devido a uma violenta perseguição, como a que existiu durante a Inquisição; agora visualize cada facção continuando a praticar independentemente, em segredo. O Sacerdote persiste em ajeitar o Altar, manipular os Instrumentos, invocar a Deidade e assim por diante. O povo continua a se reunir, a apontar um facilitador que tenta se lembrar daquilo que o Padre fazia no Altar (e porquê) e todos se ajoelham e ficam em pé sempre que uma deixa parece familiar. Dentro de poucas gerações, você encontraria muitas diferenças, mas mesmo assim veria um fio similar correndo pelas duas facções sobreviventes. Com efeito, você poderia acabar com duas religiões um pouco diferentes, alicerçadas na mesma base; isso é semelhante ao que aconteceu ao Culto da Bruxa e é a base para as diferenças entre Bruxaria Hereditária e muitas Tradições Wiccanianas modernas.

Postado por Corvus Lucífero às 23:32 0 comentários

Marcadores: Bruxaria Hereditária

Arádia - Referências Históricas

segunda-feira, janeiro 03, 2011



Pelas tradições orais referentes a Arádia, com base na Antiga religião da Itália, sabe-se que Ela viveu e ensinou durante a última metade do século XIV. O inquisidor italiano Bernardo Rategno documentou em seu Tractatus di Strigibus (escrito em 1508 d.C.) que uma "rápida expansão" da "seita das Bruxas" tinha começado 150 anos antes de sua época. Ratgeno estudou muitas transcrições referentes à Bruxaria nos julgamentos da Inquisição e pesquisando através dos anos, ressaltou o começo dos julgamentos de Bruxas, notando um rápido aumento deles por um período de ano. Seguindo um detalhado estudo desses registros (mantidos nos Arquivos da Inquisição em Como, Itália), Ratgeno fixou a época deste reflorescimento das Bruxas por volta de 1358, a última metada do século XIV.

Se Arádia nasceu em 1313, como as lendas afirmam, concerteza teria idade suficiente para ensinar e influenciar outras pessoas e para formar grupos que levassem adiante seus ensinamentos; deste modo, as datas de Ratgeno apoiaram a tradição oral referente às influências de Arádia sobre o crescimento da Antiga Religião. Em 1890, o autor e folclorista Charles Leland publicou um livro sobre Bruxaria Italiana intitulado Aradia: Gospel of the Witches; o relato de Leland sobre Arádia inclui uma lenda a respeito da "Bela Peregrina", preservado entre os camponeses toscanos por gerações. Em parte, esta lenda diz:

             'Então, tendo obtido um vestimenta de viandante, Ela viajou para longe, ensinando e pregando a Religião dos Tempos Antigos, a Religião de Diana, a Rainha das Fadas e da Lua, a Deusa dos Pobres e Oprimidos. E a fama de sua beleza correu a terra e o povo a venerava, chamando-A de La Bella Pellegrina.'

Em 1962, T. C. Lethbridge (antigo Diretor do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de Cambridge) publicou um livro chamado Witches que se refere a Arádia em vários capítulos. No capítulo segundo ele escreve:

             'Penso que podemos assumir, então, que o Vangelo de Leland e a prova do julgamento do Dr. Murray são mais ou menos contemporâneos e que é razoável usar os dois juntos para formar um quadro do Culto da Bruxa por volta de 1400 d.C. (...) Arádia foi enviada à Terra para ensinar esta Arte para a Humanidade; isto é, Ela era, na opinião de seus devotos, uma personalidade conhecida na Religião Hindu como um Avatar, que lhes ensinava como utilizar o poder mágico. Arádia, nos Tempos Antigos, poderia ter sido uma personagem história como Cristo, Krishna ou Buda (...).'

Também achei interessante notar que Ecstasies - Deciphering the Witches' Sabbath  (Êxtases: Decifrando o Sabá das Bruxas) de Carlo Ginzburg contém uma passagem que pode ser uma referência histórica de Arádia; na página 189 ele fala de uma seita pagã conhecida como Calusari, que durante a Idade Média (por volta dos séculos XVI e XVII) adorava um "Imperatriz Mítica" a quem as vezes chamavam de "Arada" ou "Irodeasa". Os Calusari também usavam a expressão "Senhora das Fadas", exatamente como os seguidores de Arádia chamavam Diana "Rainha das Fadas". Certamente existem similaridades muito próximas aqui, e podemos estar vendo uma forma de adoração que evoluiu daquela fundada por Arádia mais de 100 anos antes.

De acordo com a lenda original de Arádia, Ela deixou a Itália em algum momento de sua aventura e viajou para fora do país. Sérvia, o lar dos Calusari, fica do outro lado do Adriático, a pouca distância da itália Central e viajens de navio não eram incomuns naquela época. Quando Arádia deixou a Itália, não teria ido para o Oeste, para a França, porque o Papado estava estabelecido lá naquela época, e Arádia ainda estava sendo perseguida pela Igreja; teria sido muito perigoso ir para o Norte da Europa porque as Bruxas estavam sendo queimadas ou enforcadas naquela região (a Itália não começou a queima das Bruxas senão depois do tempo de Arádia). Portanto, de fato, um êxodo para o Leste teria sido a única decisão lógica que Arádia poderia ter tomado. Pelo menos, existe uma espantosa coincidência entre as Bruxas da Arádia e os Calusari de Arada. 

Postado por Corvus Lucífero às 21:52 0 comentários

Marcadores: Bruxaria Hereditária

Cavalaria... Um código de Honra!

quarta-feira, julho 28, 2010



Sabendo que a Arte dos Sábios é a crença mais honrada e antiga da história da humanidade, ela impõe que todas as Streghes, no ato de respeitar os Antigos Deuses, os irmãos e irmãs da Striaria, e eles mesmos devem saber que:

I - Cavalaria é um Alto Código de Honra, da qual é maioria originada do Striaria Antiga, e deve ser vivida por todos aqueles que seguem os Caminhos Antigos.

II - Todos devem saber que pensamentos e intenções colocadas nessa face da Terra, vão encerrar fortes nas profundezas de outros mundos, e retornará. Tudo o que você planta, você deve colher.

III - É apenas preparando nossas mentes para sermos Deuses, que conseguiremos alcançar a mente dos Deuses.

IV - Acima de tudo, ser sincero consigo mesmo.

V - A palavra de uma Streghe deve ter a validade de algo assinado ou de uma testemunha de um juramento. Dê apenas a sua palavra escassamente, e apegue-se a ela como ferro.

VI - Evite falar de doença para os outros, já que nem todas as verdades devem ser ditas.

VII - Não fale sobre outras pessoas, coisas que você apenas ouviu falar, já que a maioria das coisas que falam, é tudo mentira.

VIII - Seja honesto com os outros, e deixe claro que você também espera encontrar honestidade nessas pessoas.

IX - A fúria do momento, joga loucura com a verdade; ter a confiança de alguém é uma virtude.

X - Pense sempre nas conseqüências de seus atos sobre os outros. Ataque sem fazer mal.

XI - Muitos Clãs devem ter várias visões de amor entre os membros e com os outros. Quando um Clã ou um grupo é visitado ou juntado, cada membro deve manter silêncio sobre suas práticas e suportar a vontade de falar para os outros.

XII - Dignidade, delicadeza e bom-humor são coisas para ser admiradas.

XIII - Como Streghe, você tem poderes, e eles terminam fortes, à medida que sua sabedoria aumenta. Portanto, exercite como manejar sua força.

XIV - Coragem e honra prevalecem para sempre. Seus ecos permanecem quando a montanha se transforma em pó.

XV - Garanta amizade para todos que você acha que merecem. Dando força às outras pessoas, elas também darão força à você.

XVI - Você nunca, jamais deve revelar os segredos da Striaria ou Clã. Algumas pessoas têm trabalhado duro durante muito tempo para conseguir certas coisas, e as tratam como grandes tesouros.

XVII - Como há diferenças entre os praticantes dos Caminhos Antigos, aqueles que estão nascendo não devem ouvir e nem ver nada.

XVIII - Aqueles que seguem o Caminho dos Mistérios devem estar acima das reprovações dos olhos do mundo.

XIX - As leis da Terra devem ser obedecidas toda vez que possível e dentro da razão.

XX - Tenha orgulho de você mesmo, e procure atingir a perfeição do corpo e da mente. Já dizia a Dama: "Como você pode se orgulhar de outra pessoa, se você não tem orgulho de si mesmo?"

XXI - Aqueles que procuram os Mistérios devem se considerar escolhidos dos Deuses, já que são eles que devem liderar a Raça Humana para os mais altos tronos e acima das estrelas.

+ Bruxa Leonora

Postado por Corvus Lucífero às 11:32 0 comentários

Marcadores: Bruxaria Hereditária

O Senhor do Desgoverno... Luz e Trevas

terça-feira, julho 27, 2010



Os Ritos de Inverno da Velha Religião, na Itália, são conectados com os Antigos Rituais Romanos da Saturnália, e os “Cultistas do Lobo” presentes na Lupercália, ainda são aspectos da Bruxaria Italiana hoje. Estes personagens são visíveis principalmente nos festivais feitos durante o dia e celebrações dos Caminhos Antigos, mas partes deles podem ser vistos nos rituais noturnos que são maioria na Tradição Streghe. O Senhor do Desgoverno e o Sacerdote Lobo de Lupercus são responsáveis pelas partes antigas de seus respectivos ritos.

Alguns ritos antigos ainda podem ser vistos no Carnevale, ou Carnaval Italiano. Na Idade Média, o Carnaval era marcado por canções obscenas e danças eróticas e os participantes usavam máscaras.

As celebrações geralmente terminavam em orgias dados os temas eróticos das celebrações. A intenção era mágica em natureza, e era feita para impregnar a terra, onde as sementes esperavam pela estação do crescimento. Mulheres grávidas se juntavam às celebrações para estimular as sementes que cresciam dentro de seus úteros. Também havia a tradição de quem encontrasse uma semente de fava era declarado Rei do Carnaval e poderia escolher qualquer uma para ser sua rainha. O casal então governa durante o tempo do festival (uma semana). No final, uma efígie do rei é queimada para que haja prosperidade para os súditos durante a restante do ano. Logo em seguida aos Festivais do Desgoverno e de Liberação, apareciam a figura dos Benandanti.

Os Benandanti




Os Benandanti lutavam contra as forma-pensamento negativas e destrutivas e limpavam a consciência coletiva de suas comunidades. Deles era a batalha contra as Forças do Mal, personificando um exercito na luta entre a Luz e as Trevas. A Tradição Benandanti era uma sociedade animista trabalhando por trás das Forças da Natureza.

Postado por Corvus Lucífero às 12:56 0 comentários

Marcadores: Bruxaria Hereditária

Os Poderes da Luz e das Trevas: Deus Veado X Deus Lobo




"A Deusa mantém tudo em equilíbrio:
O Bem e o Mal, a Morte e o Renascimento...
O Predador... e a Presa.
Sem Ela, a destruição e o caos iriam prevalecer." 

Na Tradição Streghe, os aspectos do Ano Crescente e Decrescente são simbolizados pelo Deus Veado e o Deus Lobo, respectivamente. O Deus Lobo é chamado Lupercus e o Deus Veado é Cern. Estes Deuses, diferentemente da Tradição Wiccana, não se matam, mas são mortos por outros.

Na Velha Religião da Itália existem três aspectos do Deus. Nestes aspectos nós encontramos as conexões com o mundo físico. Os Três Títulos pelos quais o Deus é conhecido são: o Encapuzado, o Astado e o Velho. Na analogia o Encapuzado é comumente ligado ao Green Man. Ele vive coberto de vegetação. O Astado é uma entidade de chifres de veado e é o Deus das Florestas, do que é selvagem. O Velho é o Ancião.

Os três aspectos do Deus tem a ver com a mudança de uma sociedade de caça para uma sociedade agrícola. O Encapuzado está ligado às plantações e vem logo depois do Deus Veado. Ele é o filho do Deus Veado. O caçador que veio antes da sociedade agrícola e o Espírito Animal era valorizado antes do Espírito das Plantas.

Outros aspectos do Deus são simplesmente variações dos aspectos básicos. O aspecto Brincalhão, por exemplo, é ligado ao Encapuzado. Na Tradição Italiana, o Corvo (um brincalhão renomado) é associado com o Encapuzado em seu papel de Guardião da Gruta.

O Veado e o Lobo

O Deus Veado e o Deus Lobo voltam aos dias da antiguidade do Culto das Bruxas. Em uma imagem Etrusca, encontrada num vaso do séc. XI aC, mostra a Deusa junto com um veado e com um lobo. Isso não é surpresa, pois a Bruxaria Italiana tem grande influência da Toscana, onde a Civilização Etrusca floresceu uma vez. O lobo, o “Uivador da Noite” era o principal animal de culto da Deusa. Sua importância na religião da Velha Europa pode ser encontrada nas várias figuras que mostram a Deusa e o lobo e o veado.

O lobo é sagrado à Deusa da Lua. Sua natureza lunar é indicada pelas Crescentes que aparecem junto com suas imagens em artefatos antigos. Mais comum hoje é o retrato da Deusa Diana com seus cães de caça (lobos domesticados), mas as estátuas mais antigas de Diana a mostram com seu veado – temos também imagens da Deusa Ártemis no mesmo papel. É em Diana que descobrimos as estações do lobo e do veado.

A ambigüidade do Deus como caçador/protetor é mostrado, por um lado, pela pele de lobo e armas que Ele carrega e, por outro lado, em sua relação com o veado que fica ao seu lado enquanto Ele descansa. E é neste ícone que vemos a ligação do Deus da Velha Religião com as imagens do veado e do lobo. Ele é mostrado tanto como Caçado quanto Protetor de todos os animais da floresta, Guardião da Gruta, o Senhor das Árvores, O Velho.

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Luna lla Stregheria



Nos “Ensinamentos da Strega Sagrada” achamos provas que Aradia uma vez ensinou a seus discípulos que as almas dos “mortos” viviam na Lua. Mesmo que os seus seguidores modernos concordem que Aradia usou a Lua como símbolo para os Reinos Astrais, este primeiro conceito não era desconhecido para muitas Culturas Antigas. Iniciados no sistema Aridiano acreditam que a Lua foi usada como uma representação do Plano Astral, do Reino Lunar, mais especificamente.

No Santuário de Diana, no Lago Nemi, a Lua era vista como a morada da Deusa Diana e sua companhia, assim como o local de descanso das Bruxas que passaram do Plano Físico. De acordo com os conhecimentos mais primitivos das Strega, as “sombras” da Lua eram os locais de caça da Deusa, e os locais iluminados eram as planícies por onde Ela passeava.

As Bruxas da Janarra, que são as descendentes diretas daquelas do Lago Nemi, praticam uma forma de Ritual Lunar que vem de tempos muito antigos. O tema antigo de “se tornar como a Lua” pode ser visto nos antigos rituais janárricos de iniciação. Os iniciados que desejavam ser Sacerdotes ou Sacerdotisas eram levados nus sob a Lua e então “pintados” de branco. Isso geralmente era feito com um pó branco (ou ungento) que era aplicado no corpo todo, o cabelo incluso.

Os ritos de iniciação estavam ligados às Fases da Lua. O primeiro grau é a Lua Nova, o segundo grau é a Meia Lua, o terceiro grau a Lua Cheia, e a morte física a Lua Minguante, e é considerado ser o ritual de Iniciação no Grande Mistério. Então há quatro graus de iniciação de acordo com as fases da Lua.

Como um Ser Celeste, acreditava-se que a Lua encontrava-se em diversas situações com outros astros. Muitas culturas acreditavam que os três dias de Lua Negra aconteciam porque seres malignos engoliam a Lua e, posteriormente, a regurgitavam. Os eclipses eram vistos de várias formas. Esta corrida da Deusa, eventualmente, descendo para a terra, era visto pelas Bruxas Italianas como o momento em que o Sol e a Lua se juntavam para que a Lua desse a luz a novas estrelas, para substituir aquelas que caíram do céu.

A Lua também era utilizada para medida do tempo e sinalizava o momento de plantio e colheita – tanto para propósitos mágicos ou mundanos.

A representação simbólica da Lua como Divindade mais antiga é um a pedra, que aparece na arte antiga sendo um pilar ou um cone de algum tipo. Algumas lendas dizem que esta pedra caiu do Céu, pois veio dos próprios Deuses. Um desenho antigo da Triluna aparece no inicio da Velha Religião. Variações deste símbolo podem ser encontrados nas antigas artes Etrusca, Grega e Romana. Também se encontra em algumas culturas um pilar de madeira ou uma árvore como um símbolo antigo da Lua. Algumas vezes a Árvore da Lua é mostrada como uma árvore mesmo e às vezes como um poste truncado ou pilar estilizado. Em algumas formas de arte, a Árvore da Lua se mostra com treze flores, representando as Treze Luas Cheias (ou Novas) de um ano.

Os ensinamentos internos da Velha Religião lidam com o significado esotérico da Árvore da Lua. Neste aspecto, Ela parece representar os mistérios em si, num senso prático da estrutura dos Caminhos Antigos. A Árvore da Lua tem apenas uma fruta branca que é o alimento sagrado da iluminação. No mythos, a Árvore está localizada na Gruta Sagrada de Diana no lago Nemi, guardada pelo Encapuzado. O Encapuzado é um Guerreiro Poderoso que não pode ser vencido facilmente. Simbolicamente, a Árvore da Lua representa nosso sistema de crenças e o fruto da árvore é a iluminação que vem destes ensinamentos.

O Guardião da Gruta representa nossa mente consciente, que nos impede de abraçar uma visão mística através de questionamentos de nossas experiências “sobrenaturais”. É através do Poder da Magia e através da experiência do encontro místico, que formamos a mentalidade necessária para vencer o Guardião. Uma vez que Ele é vencido, a fruta da árvore está dentro de nosso alcance. Degustar sua essência é receber a iniciação dos próprios Deuses.

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Influências Maçônicas na Stregheria

segunda-feira, março 29, 2010



Como sabemos, muitas Bruxas italianas uniram-se a grupos maçônicos, tanto para se protegerem quanto para continuar com as antigas práticas junto a outras Bruxas. As influências maçônicas são prontamente reconhecíveis num simples exame de práticas modernas; por exemplo, o grupo maçônico italiano conhecido como Carbonari (cerca de 1820) tinha três graus de iniciação marcados por cordões ou laços coloridos: azul, vermelho e preto. Um triângulo marcava o nível de primeiro grau. Os Carbonari afirmavam fundamentar seu sistema no Culto Romano de Mistério de Mitra. Uma história originada de sua ordem na França afirma que este capítulo em especial surgira na Escócia, durante o reinado da Rainha Isabel e era apoiado por Francisco I, Rei da França. Sob sua proteção, o culto maçônico se multiplicou e se espalhou pela Alemanha, França e Inglaterra, onde também foi conhecido como Maçonaria da Floresta. Há uma interessante similaridade aqui com as Bruxas italianas, que chamam seus próprios grupos de “bosques” (Boschetto).

Um grupo hermético de Nápoles também influenciou a Moderna Stregheria; este grupo era chamado Fratellanza Terapeutico-Magica di Myriam (Irmandade Terapêutico-mágica de Myriam) e foi fundada em Nápoles por Guiliam Kremmerz. Em 20 de Março de 1896, a Irmandade de Myriam criou uma constituição e iniciou a instrução formal. A estrutura básica das práticas da Ordem era baseada nas propriedades magnéticas naturais encontradas em todos os seres vivos, bem como na própria terra; a ordem ensinava que todas as coisas eram equilibradas dentro de uma estrutura polarizada. A cura por meio de propriedades eletromagnéticas do corpo era uma das primeiras práticas da Irmandade.

A Irmandade de Myriam ensinou o conceito de aura, um campo de energia que circunda o corpo; também instruía seus membros no que diz respeito ao Corpo Lunar. Acreditava-se que o corpo lunar era formado pelo estado emocional de um indivíduo, criando um campo de energia dentro da aura; o corpo lunar, neste contexto, é a contraparte oculta ou espiritual do campo de energia eletromagnética conhecido como aura. A Ordem de Myriam também instruía seus membros nas dimensões astrais e nas várias práticas associadas a trabalhos astrais. Embora tais conceitos fossem previamente bem conhecidos pelas Bruxas italianas, a Irmandade forneceu termos e títulos mais tarde adotados pela Stregheria.

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Bruxaria Moderna e Stregheria



Em 1951, na Inglaterra, a última das leis contra Bruxaria foi revogada pelo Parlamento; pouco depois, um despertar da Bruxaria começou na Grã-Bretanha. Em 1954 e 1959, Gerald Gardner publicou seus livros Witchcraft Today e The Meaning of Witchcraft (O Significado da Bruxaria), revelando muito da verdadeira natureza da Antiga Religião. O próprio Gardner era um Bruxo inglês e fez muitas coisas para mudar a imagem cristã da Bruxaria; por mais estranho que pareça, os ritos que Gardner revelou continham vários aspectos da Bruxaria Italiana, tais como nudez, celebração com vinho e bolo e a adoração de uma Deusa e de seu Consorte provido de chifres. O nome Arádia até mesmo aparece no sistema inglês, junto com segmentos do escrito original italiano encontrado em The Charge of the Goddess (A Sagração à Deusa).

O Despertar do Oculto no século XIX, que deu origem ao movimento Wicca Garderiana, foi estimulado pelos ensinamentos clássicos revividos durante a Renascença. Os trabalhos de Giovanni Pico della Mirandola influenciaram profundamente o Ocultismo Ocidental. Em 1486, Pico publicou seu trabalho Conclusiones Nongentae in Omni Genere Scientiarum (900 conclusões em cada tipo de ciência), contendo tudo, desde a filosofia natural até a metafísica e os ensinamentos da Cabala.

A filosofia Oriental fundiu-se com o Ocultismo Ocidental, modificando muitos dos antigos conceitos egeu/mediterrâneos, fundamentais para os sistemas mágicos ocidentais. Os últimos trabalhos de Eliphas Levi, Francis Barret, Franz Bardon, Aleister Crowley, A. E. Waite, Dion Fortune e MacGregor Mathers foram as bases dos ensinamentos secretos do sistema mágico de Gardner. Não queremos aqui sugerir que a Wicca é algo inventado por Gerald Gardner, mas sim, confirmar que muito do que ele acrescentou às tradicionais crenças pagãs celtas vieram de tais fontes. Fique claro, porém, que a Wicca Moderna é também uma evolução das tradições mágicas folclóricas vistas em toda a Europa.

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Influências da Idade Média e do Renascimento na Stregheria

segunda-feira, janeiro 18, 2010



A partir do colapso do Império Romano no século V d.C., a Europa entrou na Idade Média. A Igreja Católica Romana substituiu a Roma Imperial como fator de unificação da Europa; o latim permaneceu como língua dos eruditos e ajudou a preservar muito do conhecimento que atualmente possuímos sobre culturas antigas e da mágica. A Europa saiu da Idade Média com o período da Renascença, originado na Itália durante o começo do século XIV. No século XV, a Renascença se espalhou pela França, Espanha, Inglaterra e Países Baixos. Além da arte, da ciência e da literatura, a Renascença produziu muitos livros sobre mágica natural e filosofia oculta em geral; durante este período, mágica se referia a um conjunto de conceitos que constituíam uma ciência metafísica.

Com a Renascença, veio a ressurreição dos livros perdidos de mágica greco-romana; o período renascentista produziu particularmente os grandes ensinamentos herméticos, que são a base de muitas doutrinas e tradições modernas. Os livros herméticos, originalmente escritos em grego, por volta do século III apareceram sob um estilo ou forma pseudo-egípicia. Esses textos preservaram os antigos ensinamentos da Pérsia, Caldéia, Índia e dos Cultos Gregos de Mistério; como um contexto de ensinamentos acumulados, era fortemente influenciado pelo neoplatonismo, pelo gnosticismo e neopitagorismo. Os manuscritos ocultistas do período renascentista criaram os fundamentos dos textos mágicos que posteriormente apareceram por toda a Europa.

Em 1460, chegaram às mãos de Cósimo de Médici muitos manuscritos herméticos da Macedônia e do decadente Império Bizantino. Ele ordenou a Marsílio Ficino (filósofo e teólogo italiano) que traduzisse esses textos; através de seus esforços temos hoje um conjunto de conhecimentos ocultistas que ainda é a base do pensamento mágico. No período posterior da Renascença, esses textos mágicos aparecem na França, Inglaterra e Alemanha.

O neoplatonismo, uma filosofia baseada nos ensinamentos de Platão, influenciou grandemente as tradições ocultas do Sul da Europa. Plotino, um egípicio helenizado, foi responsável pelo despertar dessa filosofia cerca de 244 d.C. o neoplatonismo plotiniano, por sua vez, foi reavivado no século XV por Marsílio Ficino e coube a John Colet introduzir o neoplatonismo na Inglaterra, o qual preparou o caminho para os Platonistas de Cambridge no século XVII. As doutrinas de Plotino tornaram-se o ensinamento oficial da Academia Platônica e influenciaram grandemente a teologia cristã.

Muitas escolas de neoplatonismo, como a de Pérgamo, se envolveram em práticas mágicas. Por volta do século XV, esses princípios estavam firmemente estabelecidos e influenciaram muitos frades e monges envolvidos na tradução de textos antigos; um exemplo é Tommaso Campanella, frei dominicano do século XVII, acusado de heresia e aprisionado pela Igreja por tentar conciliar ciência e razão com a revelação cristã. Os monges e frades, que durante a Idade Média anotaram as lendas célticas hoje conhecidas, sem dúvida eram versados no neoplatonismo, pois encontramos muitos conceitos mediterrâneos na mitologia e nas lendas celtas. É provável que, assim como o catolicismo romano transpôs lugares como a Irlanda, os ensinamentos mediterrâneos influenciaram a teologia cristã. No final da Antigüidade e começo da era medieval, filosofias de várias tradições religiosas foram atraídas pelo pensamento neoplatônico e influencias por ele.

Na Itália, certas regiões se apegavam fortemente à Antiga Religião, apesar do poder da Igreja. A Toscana, no Norte da Itália, era o centro mais forte do paganismo, seguida de perto pela região do Benevento, mais abaixo na Itália central; entretanto, com o passar do tempo, mesmo essas fortalezas caíram em poder da Igreja. Tudo que restou das crenças, adorações e práticas pagãs foi condenado como demoníaco e suprimido pela teologia e pelas leis cristãs. O Sínodo de Roma em 743 d.C. baniu qualquer oferenda ou sacríficio a Deuses e Espíritos Pagãos; o Sínodo de Paris em 829 d.C. publicou um decreto exigindo a morte de Bruxas e Feiticeiras, citando as passagens bíblicas do Levítico, 20:6 e Êxodo 22:18. Em 1181, o Doge Orlo Malipieri de Veneza aprovou leis que proibiam fazer poções e praticar mágica. Embora a Bruxaria fosse oficialmente crime na Itália durante todo o século XIII, a obsessão por Bruxas da Europa do Norte somente percorreu a Itália nos começos do século XV.

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Gestos nos Rituais!

sábado, janeiro 02, 2010


Os Gestos são o contraponto silencioso às palavras. Gestos podem fortalecer rituais quando praticados juntamente a invocações e danças, ou podem ser utilizados individualmente por seu verdadeiro Poder. Apontar, utilizar os dedos indicador e médio abertos formando um "v" e apresentar vulgarmente um dedo médio erguido demonstra a variedade de mensagens que podem ser enviadas pelos gestos, assim como a quantidade de respostas emocionais que eles suscitam. O significado mágico dos Gestos é complexo, e origina-se do Poder das Mãos. A mão pode curar ou matar, acariciar ou apunhalar. É um canal pelo qual as Energias são enviadas do corpo ou recebidas de outros. Nossas mãos preparam Altares Mágicos, apanham Bastões e Athames e apagam as Chamas das Velas ao concluirmos ritos mágicos.

Mãos, enquanto meios por meio dos quais a maioria de nós ganha a vida, simbolizam o mundo físico. Mas em seus cinco dedos reside o Pentagrama, o Supremo Símbolo de Proteção; a soma dos Quatro Elementos associada à Fonte de Todas as Coisas, o Poder Espiritual do Universo.

As linhas em nossas mãos podem, para o iniciado, ser utilizadas para acessar o inconsciente profundo e revelar coisas dificilmente captadas pelo consciente. O quiromante não interpreta essas linhas como ruas num mapa; são chaves para nossas almas, uma mandala de carne que revela nosso mais profundo interior.

As mãos foram utilizadas como os primeiros instrumentos de cálculo. Acreditava-se que possuíam qualidades e simbolismo tanto masculino como feminino, e imagens de mãos são usadas ao redor do mundo como amuletos.

Gestos em rituais podem facilmente tornar-se instintivos. Ao invocar a Deusa e o Deus, as mãos podem ser erguidas espalmadas para receber seu Poder. A Deusa pode ser individualmente invocada com a mão esquerda, com o polegar e com o indicador erguidos em um semicírculo, enquanto o resto dos dedos se enrola sobre a palma. Este gesto representa a Lua Crescente. O Deus é invocado com o indicador e com o médio erguidos, ou o indicador e o mínimo erguidos, enquanto o polegar segura os outros contra a palma, para representar chifres.

Os Elementos podem ser invocados com Gestos individuais quando próximos das Quatro Direções: uma mão espalmada paralela ao chão para invocar a Terra no Norte; uma mão erguida, com os dedos bem abertos, para invocar o Ar no Leste; um punho erguido no Sul para convidar o Fogo, e uma mão em concha no Oeste para invocar a Água.

Dois Gestos, juntamente a posturas, vêm há muito sendo usados para invocar a Deusa e o Deus, e receberam seus Nomes. Assume-se a posição da Deusa ao separar os pés cerca de 20 cm, erguendo as mãos com as palmas voltadas para cima, os cotovelos levemente dobrados. Esta posição pode ser utilizada para chamar a Deusa ou para sintonizar-se com Suas Energias.

A posição do Deus consiste em manter os pés juntos no chão, o corpo rigidamente ereto, braços cruzados no peito (em geral o direito sobre o esquerdo), com as mãos fechadas em punhos.

Instrumentos como o Bastão e o Athame podem eventualmente ser seguros nas mãos, ecoando a prática dos Antigos Faraós do Egito, que seguravam um cajado e um mangual de modo semelhante durante disputas.

Nos Clãs, a Anciã ou a Suma Sacerdotisa e o Grimas ou o Sumo Sacerdote costumam assumir tais posições quando invocam a Deusa e o Deus. Em trabalhos individuais, podem ser utilizadas para identificarmo-nos com os aspectos da Deusa e do Deus em nós, e também durante ritos invocatórios separados.

Gestos também são utilizados em Magia. Cada um dos dedos se relaciona a um planeta específico, assim como a uma Antiga Deidade. Uma vez que apontar é um ato mágico e é parte de muitos encantamentos, podemos escolher o dedo de acordo com seu simbolismo.

O polegar está ligado a Vênus e ao planeta Terra. Júpiter (tanto o Deus quanto o planeta) rege o indicador. O dedo médio é regido pelo Deus e pelo planeta Saturno, o anelar pelo Sol e por Apolo e o mínimo pelo planeta Mercúrio assim como pelo Deus que lhe dá nome.

Muitos encantamentos envolvem o apontar, com os dedos de Júpiter e Saturno, normalmente para um objeto a ser carregado ou imbuído em Energia Mágica. Visualiza-se o poder partindo dos dedos direto para o objeto.

Outros Gestos rituais utilizados em ritos incluem o "cortar" de Pentagramas nos Quatro Quartos ao desenhá-los no ar com o Punhal Mágico, o Bastão ou o indicador. Isto é feito para, alternadamente, banir ou invocar os Poderes Elementais. É, obviamente, praticado com a visualização.

A mão pode ser vista como um Caldeirão, uma vez que pode conter água; um Athame, pois é utilizada para dirigir Energia de Magia; e um Bastão, por também poder invocar.

Gestos são Instrumentos Mágicos tão poderosos como quaisquer outros, os quais podemos levar sempre conosco, para utilizá-los quando necessário.

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Roda do Ano

domingo, novembro 01, 2009



O Ano Rural era muito importante para a sociedade agrária da Antiga Roma, bem como para os fazendeiros italianos da Idade Média. Os Antigos Romanos faziam Festivais de um tipo ou de outro a cada mês do ano e, portanto, é fácil encontrar uma celebração similar ocorrendo nas mesmas datas nos modernos festivais da Wicca e Bruxaria Moderna. Sendo uma sociedade rural, os fazendeiros romanos estavam bem conscientes dos Equinócios e Solstícios e do lugar que ocupavam na Roda do Ano. Sua importância também pode ser notada no Culto de Mistério Eleusino Grego e Romano. Os ritos dos Mistérios Eleusinos Menores eram celebrados no Equinócio de Primavera e os Grandes Mistérios eram celebrados no Equinócio de Outono. O foco desses ritos era a Descida da Deusa ao Submundo e sua Subida na Primavera.

Assim como não temos documentação histórica a indicar que qualquer seita específica dos Celtas celebrasse os oito Sabás dentro de qualquer culto específico, também acontece o mesmo com as Tradiçoes Italianas. Sabemos que os temas básicos de cada Sabá são nativos dos Festivais Egeu-Mediterrâneos que ocorriam na mesma época do ano que os Festivais Norte-Europeus. Um estudo simples dos Festivais Gregos e Romanos demonstra isso facilmente.
As datas dos Festivais comemorados têm relação direta com o Movimento Solar e suas influências físicas sobre a Terra. Para os adeptos da Stregheria, as Treguendas (que correspondem aos Sabás Pagãos) são também celebradas em dias de Equinócios e Solstícios ou em datas intermediárias entre as estações climáticas anuais, como já vimos acima.

Para obter uma visão geral dos Antigos Festivais Italianos, originários das influências Etruscas e Romanas na Itália, vejamos os Festivais Anuais da Wicca e notamos a contrapartida itálica.

Samhain – Festa da Sombra (La Festa dell'Ombra)
31 de Outubro/01 de Novembro HN, 01 de Maio HS

Na Tradição Italiana, esta ocasião é chamada de Festa da Sombra. De acordo com a Tradição Italiana, os mortos retornam ao mundo humano, começando na noite da Véspera de Novembro e continuando até a segunda noite (três noites ao todo). Na Sicília, é costume colocar um lugar extra na mesa para o retorno dos parentes falecidos. As famílias sicilianas também costumam fazer um banquete no túmulo da família no dia 02 de Novembro para honrar os mortos.

Durante a época do Império Romano, os primitivos italianos associavam a planta da fava aos mortos, devido à única mancha negra numa pétala perfeitamente branca. Os romanos serviam feijão de fava em banquetes funerais, honrando a conexão entre mortos e a fava. Essa associação permaneceu numa parte da Bruxaria Italiana através dos séculos; a sopa de feijão de fava ainda é uma refeição tradicional, servida na véspera de Novembro (31 de Outubro). Uma tigela de sopa de feijão de fava é colocada do lado de fora da casa à meia-noite, como oferenda aos Espíritos, e depois é enterrada após o nascer do Sol do dia 1º de Novembro.

Na Itália do século X, monges cristãos, procurando um modo de assimilar essa celebração pagã, decidiram, cozinhar grandes porções de sopa de feijão de fava e oferecê-las as almas dos mortos; camponeses famintos se deliciavam com os tonéis de sopa de feijão de fava que os monges colocavam nas esquinas. A Igreja permitiu que esta prática continuasse devida à oportunidade de conversão, mas só a partir do século XV a Igreja oficialmente adotou o dia da celebração, 1º de Novembro, chamando-o de Ognissanti ou "Dia de todos os Santos" e o 02 de Novembro foi designado "Dia de Finados".

Na Itália de hoje, os celebrantes ainda comem docinhos de festa chamados Ossi da Morto (Ossos do Morto) e Fave dei Morte (Favas dos Mortos), doces parecidos com biscoitos, mas modelados na forma de esqueletos e feijões de fava. Na Sicília, pães rituais especiais são feitos no formato de um cadáver deitado para descansar, junto com figuras de açúcar de heróis tradicionais e personagens do passado da Itália.

Yule – Solstício de Inverno (La Festa dell'Inverno)
21 de Dezembro HN, 21 de Junho HS

Dezembro era marcado por Festivais ao Deus Solar e ao Deus Agricultor Saturno. A íntima conexão entre o Sol e o crescimento da plantação pedia uma invocação de ambos os aspectos da Deidade.

Imbolg/Candlemas (Festa di Lupercus)
02 de Fevereiro HN, 02 de Agosto HS

Na Tradição Italiana esta época é chamada Luperco. Na Wicca Garderiana é o tempo da purificação. O mês de Fevereiro era consagrado ao Deus Romano Februus, que era um Deus de Purificação e Morte. Os Ritos de Purificação da Lupercália também celebrados em Fevereiro.

Ostara – Equinócio de Primavera (Equinozio della Primavera)
21 de Março HN, 21 de Setembro HS

Na Antiga Roma, o Festival de Marte, celebrando seu aspecto original de Deidade Rural, tinha lugar de 19 a 22 de Março. Março também era a época do Festival de Libéria, também conhecida como Prosérpina (Perséfone), que era entre outras coisas, a Deusa da Primavera, cuja Ascensão do Submundo era marcada por rituais realizados nos Mistérios Eleusinos no Equinócio de Primavera. O Antigo Culto Romano de Mistérios de Pompéia é um bom exemplo da antiguidade desta tradição na Itália.

Beltane – Dia da Deusa (La Giornata di Diana)
30 de Abril/01 de Maio HN, 31 de Outubro HS

Na Tradição Italiana, esta época é chamada Dia da Deusa, tomando o nome de qualquer Deusa que um grupo cultuasse: por exemplo, o Dia de Tana, na Tradição Tanárrica. O mês de Maio era marcado por Festivais de Primavera de Florália. Flora era a Deusa Romana dos Jardins e das Flores; suas celebrações de Primavera duravam uma semana e culminavam em 1º de Maio, com um grande Festival para marcar a ocasião. Na Antiga Religião Romana, Maia, a Deusa da Primavera, era cultuada em celebrações que ocorriam no seu sagrado mês de Maio.

Litha – Solstício de Verão (La Festa dell'Estate)
21/22 de Junho HN, 21/22 de Dezembro HS

No dia 20 de Junho acontecia na Antiga Roma o Festival de Sumano. Sumano era uma Deidade Rural, possivelmente de origem Sabina, associada à fertilidade e à prosperidade. Na Tradição Celta, esta era a época do Rei Divino, que derrotava o Rei do Carvalho em Combate Ritual. Os Poderes da Luz e das Trevas combatem pelos períodos de fartura e escassez da Natureza. Isso se assemelha à seita Italiana Benandanti, que nesta época do ano realizava batalhas rituais pelo resultado da próxima colheita. O Festival Romano de Vesta acontecia em Junho. Vesta era a Deusa da Lareira e do Fogo Sagrado; os Lare (Deuses Antepassados) estavam sob o seu domínio. Eles eram originalmente Espíritos dos Campos Cultivados, derivados dos Lasa Etruscos, os Espíritos dos Campos e dos Prados. Os Lasa são idênticos aos antigos conceitos das Fadas em toda a Europa. O Festival de Pleno Verão está ligado às Fadas e aos Tempos Mágicos. No Festival Romano de Vesta e seus Lare, vemos o tema da Rainha das Fadas na véspera do Pleno Verão.

Lughnasadh/Lammas – (Cornucópia)
31 de Julho/01 de Agosto HN, 02 de Fevereiro HS

O Festival de Ops acontecia em Agosto. Ops era a Deusa da Fertilidade, das Forças Criativas e das Energias Telúricas. Ela era esposa de Saturno, o Deus Romano da Agricultura, e desse modo temos a associação com a colheita. Na mitologia romana ela era identificada com a Deusa Fauna/Fátua, a Deidade responsável pela abundância da Vida Vegetal e Animal.

Mabon – Equinócio de Outono (Equinozio di Autunno)
21 de Setembro HN, 21 de Março HS

Nos Ritos Eleusinos dos Cultos Gregos e Romanos, esta era a época da Descida da Deusa para o Submundo. Os Mistérios de Morte e Renascimento eram temas ritualizados que ocorriam tanto na Grécia quanto na Roma antigas, durante esta estação.

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Raízes Históricas da Stregheria

terça-feira, outubro 06, 2009


A Itália (como um país unificado) é uma inovação moderna que surgiu nos últimos 130 anos. Para as especificidades culturais italianas, cada região e cidade tinha sua própria identidade. A xenofobia era muito comum e a sociedade moderna fez pouco para mudar o fato. Portanto, cada região e cada cidade – até mesmo cada família – pode ter a sua própria Tradição, com suas raízes distintas, seus métodos e seu “conhecimento secreto”.


O Sul da Itália teve, desde tempos antigos, um forte influxo de culturas Gregas e Etruscas. Tais eram os numerosos templos no Sul da Itália e na Sicília que os historiadores deram à área o nome de “Magna Graecia” (ou Grécia Maior). Além disso, houve uma forte influência Fenícia e Egípcia, através do comércio. Com Roma, a influência dos cultos latinos começou a se enraizar, embora o Sul da Itália tenha mantido seu distinto saber não-romano através de sua história.


Podemos encontrar muitas evidências que ligam as práticas modernas da Arte a precedentes Gregos e Romanos. Foi Ovídio quem notou que as Bruxas se encontravam a noite para celebrar os Mistérios da Deusa Tripla. As Bruxas de Tessália começaram a prática da Puxada da Lua do céu. Theoricitus menciona que as Bruxas da Grécia e do Sul da Itália faziam preces e encantamentos à Lua.


Em tempos mais recentes, durante as Cruzadas e a Renascença Italiana posterior, os árabes deixaram sua marca no Sul da Itália. Isso aconteceu principalmente na Sicília, Sardegna e Malta. Por exemplo, as tradições da Tarantella (uma dança baseada em folclore mágico) tem suas raízes e muitas similaridades com danças do Oriente Médio feitas por mulheres para curar doenças, prever o futuro e receber visões dos mortos.


Nas Ilhas da Sicília e de Malta, você também encontra fortes traços do folclore francês e germânico, trazidos pelos invasores Normans. Devido à presença da Igreja Católica e Ortodoxa Romana no Sul da Itália, antigas Divindades foram identificadas com os santos. Por exemplo, um festejo de Demeter que acontecia no final de Julho – e se tornou cognato com as tradições católicas de Lammas (1 de Agosto) e a Festa de Maria, Rainha dos Céus (15 de Agosto), com os festejos de Hecate e Diana.


Na América, com nossa sociedade multicultural/plural, diferentes culturas Italianas se misturaram (muitas vezes involuntariamente) até encontrar uma identidade comum. O mesmo aconteceu com as tradições da Arte provenientes da Itália e das Ilhas. Também começamos a tanto complementar como suplementar nossas práticas tradicionais da Arte através do contato com a Wicca Tradicional, o Helenismos, a Religião Romana, Tradições Africanas (especificamente, Santeria), Espiritismo Kardecista e outras vertentes Esotéricas.

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Stregheria - Terminologia

sexta-feira, outubro 02, 2009



Na Itália, uma Bruxa é conhecida como Strega, enquanto um praticante homem é conhecido pelo título de Stregone. Bruxos, no plural, são Streghe ou Streghes – embora Congregações compostas somente de homens possam ser chamados de Stregoni.


A palavra moderna em italiano para Bruxaria seria Stregoneria – outro termo, preferido pela maioria nos Estados Unidos, é Stregheria. Esses termos significam a mesma coisa, embora a escolha de um pelo outro possa ser somente religiosa ou mágica. Historicamente, ‘Streghe’ tem suas raízes na palavra latina Strix, que significa tanto Bruxa quanto ‘grito de coruja’. No entanto, áreas diferentes têm suas próprias palavras para uma Bruxa como: Saga, Venefica, Fata, Ianara.


Na Sicília, Strega/Stregone/Streghe significam a mesma coisa, bem como na metrópole. Ser Bruxa envolve uma gama de atividades de crotchery spinsters a adivinhadores e praticantes de magia popular até aqueles iniciados nas reminiscências da Religião Pagã. Os termos Maga (feminino), Mago (masculino), e Magi (plural) também significam Bruxo, Bruxa ou Bruxos na Sicília. Esses foram emprestados dos Magos Persas helenizados (Sacerdote/Milagreiro), e se refere ao Sacerdócio da Antiga Religião.


Na Sardegna, tanto Bruxas como Fadas recebem o nome de Giane, que se refere às Feiticeiras das Cavernas do passado mítico.


Em tempos medievais, as crenças religiosas das Bruxas eram conhecidas entre os praticantes como ‘La Vecchia Religione’ (A Antiga Religião) ou ‘La societá di Diana’ (A Sociedade de Diana). Como um termo italiano mais moderno, temos ‘Antiche Usanze’ (Caminhos Antigos) além de uma referência Inglesa/Americana poética, “O Povo do Grito da Coruja”.

Postado por Corvus Lucífero às 00:14 3 comentários

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Influências Míticas na Stregheria

sábado, setembro 26, 2009



A Antiga Religião da Itália está enraizada no culto neolítico nativo mediterrâneo/egeu da Grande Deusa. Na mitologia clássica, a devoção à Deusa da Lua foi trazida da Grécia para Itália central por Orestes e sua irmã Ifigênia; segundo consta, eles fugiram de sua terra natal depois de serem acusados de assassinar o rei de uma província. Ifigênia (uma Sacerdotisa de Diana), ajudada por Orestes, estabeleceu um bosque sagrado em Nemi em honra à Deusa Diana.

Dentro do bosque havia um certo carvalho, do qual nenhum galho era permitido quebrar; apenas um escravo fugitivo teve permissão de tentar retirar um galho. O sucesso da empreitada deu-lhe o direito de desafiar o Guarião do Bosque num único combate; se vitorioso, ele se tornaria o Guardião e reinaria como Rex Nemorensis (Rei dos Bosques). Como o Guardião do Bosque tinha de ser um fora-da-lei, ele geralmente usava um capuz para disfarçar sua identidade enquanto se movimentava pela floresta; por esta razão, entre outras, também era conhecido como o Homem Encapuzado.


As lendas falam do primeiro desafiante a entrar no Bosque de Nemi; de acordo com o mito, Diana escondeu esse homem, Vírbio, dos Deuses Solares na floresta de Nemi porque ele ofendera Vênus ao reijeitá-la por Diana. Em troca do favor de Diana, Vírbio trono-se Guardião do Bosque. Embora isso seja apenas um mito e simbolismo, a posição do Rex Nemorensis/Homem Encapuzado é historicamente verdadeira e a regra de sucessão por combate foi observada até nos tempos do Império Romano. Sabe-se, por registros históricos, que o Imperador romano Calígula contratou um guerreiro para eliminar o Guardião de Nemi na esperança de fazer dispersar o culto.


Na Bruxaria Italiana, a Stregheria, um subculto se desenvolveu a partir do mito do Rex Nemorensis e a posição do Homem Encapuzado tomou muitos outros aspectos. Ele simbolizava o Deus das Florestas e tornou-se o Rei Divino; além disso ele era o protetor do povo, seu provedor e sua esperança. O Bosque de Nemi era um sacrário para o fora-da-lei e fugitivos da sociedade patriarcal. Arádia, a Rainha Bruxa da Idade Média, vivia nos campos proscritos das floresta perto de Nemi junto com seus seguidores, todos também considerados proscritos. Em Nemi, a Deusa Diana tinha o título de Deusa das Bruxas, dos Fora-da-Lei e dos Proscritos. O acampamento principal de Arádia e seus seguidores fica entre as ruínas do Templo de Diana, que dá vista para o Lago Nemi.


O lago Nemi é muitas vezes referido como o Espelho de Diana; tomou esse nome porque o reflexo da Lua Cheia aparecia na superficie das águas do Lago quando se olhava das ruínas do Templo. A Lua era o símbolo da Deusa reinante no céu noturno e nos tempos primitivos era venerada como a própria Deusa; com a evolução do culto lunar, a luz da Lua tornou-se um símbolo da Divina Presença, como o é até hoje.


O culto da Bruxa e outras Tradições e Mistérios floresceram abertamente até o século IV d.C., quando agentes da Igreja saquearam e destruíram os Templos Pagãos. Desta maneira, a Igreja dissolveu celebrações pagãs e evitou que os antigos ritos fossem celebrados nos locais tradicionais. Em 324 d.C., o Imperador Constantino oficializou o Cristianismo como a religião do Império Romano; os Templos Pagãos foram destruídos e convertidos em Igrejas cristãs e gradualmente, através dos anos, os costumes pagãos foram sendo absorvidos pelo Cristianismo. A Antiga Religião retirou-se para o silêncio, longe da atenção do povo. Apenas pequenos grupos de pessoas continuaram a se reunir nos antigos locais e a praticar os velhos ritos sazonais, já que a maioria temia chamar a atenção da Igreja; entretanto, o povo das aldeias e cidadezinhas continuava a procurar a Bruxa local para ajuda e para curas mágicas.

Postado por Corvus Lucífero às 12:51 0 comentários

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